domingo, 4 de setembro de 2011

Ricardo Ramos - Vida e Obra


Ricardo Ramos (1929 - 1992) morou em Maceió até os quatorze anos, na casa da avó, por conta da prisão de seu pai, o consagrado escritor Graciliano Ramos, durante a ditadura Vargas. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em jornalismo e a cursar um colégio noturno. Publicou, nessa época, seus primeiros contos em revistas e suplementos literários cariocas. Graciliano era sempre o seu primeiro leitor. Ricardo formou-se em direito, mas nunca exerceu a profissão. Incentivado pelo pai, passou a dedicar-se à publicidade, área da comunicação que prosperava na época. Morou em São Paulo por mais de trinta anos, trabalhando em agências como a Thompson, até se tornar sócio da Tempo de Propaganda. 
 
Do autor de Vidas secas Ricardo Ramos herdou a concisão e o labor empregado nos textos, além do engajamento em causas sociopolíticas. Em um livro de contos brasileiros, publicado pela da Georgetown University (EUA), o editor Anthony Castagnaro escreveu: “À sua maneira, Ricardo Ramos adianta a solução de exprimir o essencial em ficção, tão nobremente antecipada por seu pai”. Mais tarde, no belo Graciliano: retrato fragmentado, Ricardo revela não só o Graciliano escritor, político e intelectual, mas também o homem brincalhão, desatento, intempestivo e seus hábitos. Trata-se de um livro marcado pela sensibilidade, que Ricardo concluiu nos seus últimos dias de vida e no qual, generosamente, divide com o leitor flashes e lembranças de seu convívio com o pai. 

O autor ressaltava a importância de ser íntimo do personagem, de conhecer a sua verdade. Considerava que era apenas um intérprete da vida que vivia e do mundo que compreendia - inventava um pouco, mas com base na realidade. As referências pré-conscientes da conduta cotidiana constituem a fonte para elaboração dos seus textos literários.
 
OBRAS 
 
Romances
Os Caminhantes de Santa Lucia - (nova edição no prelo), Globo
 
Contos & Crônicas
Circuito Fechado – (nova edição no prelo), Globo
Rua Desfeita – (nova edição no prelo), Globo
Toada para Surdos – (nova edição no prelo), Globo
Matar um Homem – (nova edição no prelo), Globo
Crônicas Selecionadas – (no prelo), Globo



Circuito Fechado


Parte 1:
O narrador vai descrevendo seu dia-a-dia a partir dos objetos utilizados por ele. Quando ele fala de objetos típicos de banheiro, é porque ele foi ao banheiro. Quando fala de travesseiro e cama, é porque foi dormir, e assim sucessivamente. Percebe-se pelo texto que o personagem é fumante. O texto começa com ele acordando e termina com ele voltando para a cama. E assim se seguem os dias, iguais, como num circuito fechado. Os espaços são muitos: o trabalho, a casa...


Parte 2:
O texto é composto de memórias. Objetos, lugares, sensações, pessoas. Ele retrata toda a infinidade de coisas que se pode ter na memória durante a vida, como sapatos de verniz, os cata-ventos, qualquer experiência. Por isso mesmo o tempo e o espaço não podem ser identificados, pelo texto ser um vai-e-vem, como um flashback.

Parte 3:
Feito de expressões usadas no dia-a-dia. Muitas não se conectam, não fazem sentido juntas, mas percebe-se toda uma rotina, com conversas e ações. Por exemplo, quando aparece a fala "20 litros, da comum", entende-se como gasolina e talvez o personagem estivesse indo abastecer o tanque. O texto é muito subjetivo e não tem espaço definido ou tempo fixo. Termina com "Me acorde cedo amanhã, viu?", o que revela realmente uma rotina, terminando quando o personagem vai para a cama.

Parte 4:
A parte 4 se assemelha a parte 2, pois ambas são compostas exclusivamente de lembranças, de coisas que marcaram a vida do personagem e são comentadas durante o texto. A maior diferença é que mostra a morte do personagem no fim do texto, mostra sua vida chegando ao fim e por vez, as consequencias de sua morte, como "Um lugar à mesa". Através de todas essas memórias, você percebe a vida do personagem e o conhece. Conhece também as coisas que deixou de lado, as coisas que teve, seus filhos etc.

Parte 5:
O texto inteiro repete a negação. Uma negativa atrás da outra. O narrador fala de sua vida, amargurado, comentando o quanto ela não foi. Foi resumida, simples, superficial. Não foi emocionante, não foi realizante. Não foi algo do qual ele se orgulhasse. Não foi a melhor vida, e ele deixa isso bem claro no texto, quando mostrar todas as suas frustrações. Realmente, foi uma vida bem triste.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Caçada - Lygia Fagundes Telles

Narrador: narrador observador;
Espaço: loja de antiguidades;
Tempo: a história ocorre em um período de dois dias. Os tempos verbais empregados pelo narrador são no pretérito, porém as falas das personagens são no presente.
Personagens: •Senhora - uma velha, provavelmente dona ou funcionária da loja de antiguidades, está há muito tempo no estabelecimento, personagem secundária.
•Homem - vai à loja atraído pela tapeçaria, personagem principal.;
Síntese do conto: conta sobre um homem que entra numa loja de antiguidades atraído por uma tapeçaria de uma caça, onde uma velha se aproxima e diz que a tapeçaria está muito velha, por algum motivo o homem nota que a tapeçaria está mais nítida e nota alguma diferença que a velha não nota. Em uma hora da narrativa o homem fica pensando se ele estava no local ou havia sido ele quem trabalhou na tapeçaria. Um dia se passar e ele volta à loja, no fim, ele entra na tapeçaria e acaba por ser atingido pela flecha do caçador.